Ciência e Fé, conflito sempre eminente? Pesquisas contestam.

Muito é dito sobre a ciência ser inimiga da religião, “quanto mais razão menos fé”, poderia até
se expressar como mais um ditado popular. Porém, pesquisas feitas pela universidade dos EUA,
contestam tal suposição, que pelo visto, está mais para um jargão popular do que um fato
realmente verídico.

“A ciência e a religião retratada em harmonia no Vitral de Louis Comfort Tiffany, localizada na
Universidade de Yale”

Que a água e o óleo não se misturam entre si, isso não é novidade para ninguém. No
entanto, há quem pense e considere como mais uma espécie de “dogma” social, de que também a
fé e ciência não dialogam e não se misturam de forma alguma. Esta afirmação foi tão fortemente
ecoada, que comumente supõe-se que cientistas ou intelectuais sejam ateus ou contrários à religião.
Victor Stenger, doutor em Física escreveu para o Huffington Post em 2013, que “apologistas da
religião, gurus espirituais e ateus acomodados têm bombardeado cientistas com asserções nas quais
a ciência e a religião podem andar juntas. Isso é politicamente conveniente, mas é simplesmente
uma mentira. A ciência e a religião são fundamentalmente irreconciliáveis, e sempre serão”. E
parece que para muitos isso faz sentido.

Porém, uma pesquisa reveladora vem desmistificando essa suposição: Elaine Howard
Ecklund socióloga da Universidade de Rise (EUA) principal autora da pesquisa “Religion vs
Science: Whats Religious People Really Trink” e autora de vários livros acerca da ciência e
religião, atesta que essa possível guerra entre religião e ciência acontece simplesmente pelo fato
da sociedade ouvir a respeito deste conflito e não por levantarem fatos que o comprovem.
Assim, a socióloga americana juntamente com uma equipe de pesquisadores da universidade,
entrevistaram uma média de 9.400 cientistas de oito países diferentes: França, Hong Kong, Índia,
Itália, Taiwan, Turquia, Reino unido e EUA; tornando assim a maior pesquisa mundial já realizada
sobre as relações entre fé e ciência. E para o espanto do senso comum, os resultados foram
surpreendentes ao atestar que, mais da metade dos cientistas na Índia, Itália, Taiwan e Turquia se
auto identificaram como religiosos: “É impressionante que existem aproximadamente o dobro de
‘ateus convictos’ na população em geral de Hong Kong, por exemplo (55%) do que na comunidade
científica neste país (26%)”, relata Elaine Howard Ecklund (…) “Taiwan é outro exemplo, onde
54% dos cientistas identificam-se como religiosos, em comparação com 44% da população em
geral”, acrescentou.

Igreja opositora da razão: desmistificação de um “fato”.
Se diante dos resultados, a maior parte dos cientistas se demonstraram adeptos a religião
tornando a coexistência da fé e razão possíveis, quem afinal seria o responsável deste conflito?
Não seria a Igreja hostil a razão? Não seria então os religiosos os responsáveis em fomentar esse
conflito? De fato, por inúmeras vezes a Igreja foi considerada “indiferente” aos procedimentos
científicos e até mesmo como “opositora feroz” do conhecimento. Mas a esta altura em que já
vimos que o óbvio não parece ser tão óbvio assim, ao fazermos uma leitura dos fatos da história
de nossa civilização não nos surpreende que este conceito, ou melhor, preconceito foi
maliciosamente criado por pseudointelectuais. Os quais estavam mais comprometidos com o
materialismo e princípios do ateísmo do que com a verdadeira ciência, o que rotulou injustamente
a Igreja servindo de uma desonestidade intelectual, atribuindo todo tipo de difamação.
Quando ao contrário fora a Ciência que em perigo eminente fora salva por esta instituição
de fé milenar, como nos lastimosos tempos, em que a Europa, saqueada pelos bárbaros, via todas
as suas bibliotecas destruídas! Foram justamente os monges, os “rivais da ciência”, que salvaram
do incêndio e da rapina os preciosos manuscritos. O que, contudo, caiu no esquecimento é que por
durante dezoito séculos o conhecimento científico não significou “ateísmo prático” e nem a prática
da fé uma “hostilização ao intelecto”. Ao contrário, historiadores como Thomas Woods , Jacques
Le Goff dentre outros, que a sério estudaram a Idade Média, notam que não foi somente
reformando a sociedade antiga e modificando os costumes dos povos bárbaros, que a Igreja
eficazmente concorreu para felicidade dos indivíduos e das sociedades; mas foi também
justamente a influência da mesma, que subsistiu através deste longo período e a única que exerceu
a preponderância na cultura da inteligência em várias áreas, como na área filosófica, erguendo
grande nomes como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino; na Astronomia, como Nicolau
Copérnico, Gregor Mendel, dentre outros incontáveis grandes intelectuais.
No geral, todo o percurso dos tempos cristãos nos mostra a história ter ascendido um grande
movimento científico e literário, do mesmo modo que presidia ao movimento religioso e social.
Portanto, a Igreja declarar-se opositora a ciência é dar um tiro no próprio pé e rasgar suas boas
obras durante esses 2.000 anos de história. Além de ser uma grande promotora da atividade
intelectual, sabe bem ela que estes conhecimentos auxiliam uma alma reta a mais pronta e
perfeitamente compreender os fundamentos da fé e as verdades da religião. Assim, ela inscreveu
no seu direito canônico aquelas duas máximas que, com grande precisão e energia, exprimem o
seu pensamento: “evitemos a ignorância que é a mãe dos erros” (Cân. 25, Mansi, X, col. 627).
Diante de todos esses fatos que nos desvendam os olhos, não estaríamos nós passando por
uma amnésia histórica ou má interpretação acerca destes dois fundamentos tão importante para
nossa civilização? Assim como a Igreja, evitemos todo tipo de ignorância e de todos os
pseudointelectuais que agem de má fé, que afrontam nossa sociedade, pois ao que percebemos o
“povo se perde por falta de conhecimento” Oséias 4,6.

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